Casa 47

O partido geral desta casa foi concebido em função dos condicionantes geográficos do sítio. O terreno está situado na encosta de um morro, com visuais privilegiadas em quase todas as direções. Cerros quase intocados, vegetação nativa abundante, afloramentos rochosos e uma grande parcela da orla do Guaíba podem ser vislumbrados das cotas mais altas do lote, que tem um desnível de mais de 6 metros.

O projeto contempla grandes aberturas, principalmente na face leste onde se estende em sua maior dimensão e faz divisa com uma área de uso comum do condomínio. As sacadas em balanço e as varandas geradas abaixo das mesmas criam ambientes de transição com a área externa, e alguns deles configuram espaços cobertos que possibilitam o uso, mesmo com as grandes oscilações climáticas da capital gaúcha.

No térreo, a área social se distingue da parte de serviço e lazer por uma diferença de nível, mas os espaços permanecem integrados, pois não existem barreiras visuais entre eles. Um elaborado sistema de circulação vertical liga o ambiente de estar ao pavimento intermediário que abriga um espaço multiuso, ao pavimento dos dormitórios e ao último andar que dá acesso ao terraço. Na face oeste da residência, que faz divisa com o lote vizinho, acontece um percurso de acesso alternativo, por onde se pode chegar à parte de serviço sem transitar pelos cômodos da casa, isso se dá a partir da garagem e o desnível é vencido através de rampa coberta, porém aberta nas extremidades, possibilitando a ventilação constante dos ambientes que se localizam desse lado da casa.

A habitação tem uma concepção formal constituída por volumes desencontrados de diferentes materialidades e grandes balanços que dão ideia de movimento às fachadas. Outro elemento marcante na casa é o volume do escritório, que balança sobre o recuo de jardim na fachada frontal e dá leveza ao conjunto. Este vagão mostrou-se como a solução mais eficiente em termos de uma ocupação ideal do terreno, que forma um ângulo nesta face e poderia revelar a empena lateral do futuro vizinho.

O pátio dos fundos, assim como todo o restante do projeto, respeita ao máximo o perfil natural do terreno, formando platôs que configuram diferentes espaços de estar. A questão da sustentabilidade é abordada de muitas formas desde a concepção do partido. Foram previstos sistemas de ventilação passiva, coberturas verdes, cisternas, captação de energia solar e rebocos internos à base de terra.

  • ÁREA : 250 m²
  • ANO : 2010
  • STATUS : Projeto